8. MUNDO 13.2.13

OVIEDO: A LTIMA POLMICA

Em plena campanha presidencial, o general que derrotou Stroessner morre na queda de um helicptero. O governo paraguaio admite a possibilidade de atentado
Mrio Simas Filho

 OBSTINADO - Oviedo tentava pela terceira vez chegar  Presidncia do Paraguai
 
No Paraguai, exatamente 24 anos depois de invadir o palcio presidencial com uma granada nas mos e se transformar em protagonista do golpe que derrubou o ditador Alfredo Stroessner, o polmico general Lino Csar Oviedo afirmou: No enfrentamos as mfias e no conseguimos construir uma democracia slida. A declarao foi feita na noite do sbado 2, em um comcio na cidade de Concepcin. Aos 69 anos, Oviedo estava em campanha para a disputa presidencial de 21 de abril e animado com a possibilidade de chegar ao Palcio de Lpez, depois de acumular trs derrotas eleitorais. Fundador e principal lder da Unio dos Cidados ticos (Unace), o general fazia uma campanha com forte apelo popular e se transformara nos ltimos dois anos em alternativa real de poder, segundo analistas polticos do Paraguai. Terminado o comcio, Oviedo e seu segurana, Denis Galeano, entraram pela ltima vez no helicptero Robinson 44, que os levaria a Assuno. Por volta das 22 horas, as torres de controle areo perderam o contato com a aeronave. Nove horas depois, equipes de resgate localizaram os destroos do helicptero em uma fazenda na regio do Chaco. Os corpos de Oviedo, Galeano e do piloto Ramn Picco estavam espalhados em um raio de 100 metros e s foram reconhecidos oficialmente na segunda-feira 4.
 
O sonho de Oviedo governar o pas terminou de forma trgica, mas as polmicas que cercam o nome do general no terminaram. Temos que considerar a possibilidade de um atentado, afirmou o presidente Frederico Franco na tera-feira 5. No vamos descartar a hiptese de atentado, completou a ministra da Defesa, Mara Liz Garca. Num pas marcado por golpes e contragolpes, atos que atentam contra a vida de lderes polticos no surpreendem. E nos casos mais recentes Oviedo sempre esteve de alguma maneira envolvido. Em maro de 1999, por exemplo, o vice-presidente Luis Mara Argaa foi assassinado no centro de Assuno depois de uma emboscada no trnsito. Semanas depois, diversos manifestantes acabaram mortos e Oviedo foi condenado como mandante do atentado contra Argaa e indiretamente responsabilizado pelas mortes dos manifestantes. Fugiu para a Argentina e depois para o Brasil, onde viveu exilado por quatro anos. Em 2003, uma srie de reportagens de ISTO comprovaram que o atentado fora uma farsa para comprometer o general Oviedo, na poca o lder das pesquisas para a sucesso presidencial. Argaa foi conduzido j morto para a emboscada. Populista, o general tambm foi acusado de liderar golpe contra o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy e acabou expulso das Foras Armadas. Oviedo sempre insistiu em contrariar interesses poderosos, afirmou o presidente Franco.
 
At o fim da semana passada, as principais evidncias eram de que fortes rajadas de vento provocaram a queda do helicptero. Uma percia feita com a ajuda de tcnicos dos Estados Unidos poder atestar se houve algum tipo de falha mecnica, o que no est descartado, pois testemunhas afirmam que o Robinson 44 voava muito baixo minutos antes da queda. Se encontrada alguma falha mecnica, outras investigaes podero concluir se elas ocorreram em razo de m manuteno ou se foram provocadas. No sbado 2, pouco antes de decolar, o piloto Ramn Picco telefonou para sua mulher, Rosilene Fernandez. Ele reclamou. Disse que no queria voar  noite, mas o general insistiu muito para que decolassem. Segundo Rosilene, no foi feita nenhum meno a eventuais problemas no helicptero.

